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Latin America - Colômbia:  Aumentam as tensões entre o governo e as comunidades indígenas

María Luisa Rivera, 9 de dezembro, 2010, 13.30 GMT

Em 5 de setembro de 2010, o Departamento de Estado dos EUA certificou ao Congresso americano que o governo e o exército colombianos cumpriam critérios legais relacionados aos direitos humanos. A certificação do Departamento de Estado foi rejeitada por organizações de direitos humanos como a Anistia Internacional e o Escritório de Washington para a América Latina por causa de um suposto aumento de “efeitos colaterais” na guerra contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

Um telegrama da embaixada dos EUA em Bogotá, datado de 12 de fevereiro de 2010 e obtido pelo Wikileals, mostra que o Departamento de Estado estava ciente de que civis havia sido feridos durante operações do exército da Colômbia.

Em 30 de janeiro de 2010, um ataque aéreo levado a cabo pela Força Aérea da Colômbia perto do território indígena Embera-Katio às 3h da manhã. Nenhum membro da guerrilha foi morto, mas três civis – um casal e seu bebê de 20 dias de vida – ficaram feridos gravemente por fragmentos de bomba. De acordo com o telegrama 248745 (clique aqui), o exército colombiano “sabia das sensibilidades de montar uma operação tão próxima à reserva indígena, mas acreditava que havia tomado as precauções apropriadas”.

Oficiais da embaixada observaram que achavam que os relatórios de que “uma operação sensível com um alvo de alto valor falhou em atingir o objetivo” estavam essencialmente corretos, mas estavam incertos sobre detalhes das baixas.

Os funcionários da embaixada tentaram clarificar o incidente entrevistando líderes indígenas, ativistas de direitos humanos e membros da sociedade civil – todos culparam o governo pelos ferimentos dos civis e rejeitaram a explicação da Força Aérea colombiana de que o ataque tinha como alvo a FARC do lado de fora do território indígena.

“O pai foi atingido por estilhaços na espinha e não poderá mais andar, enquanto a mãe teve estilhaços removidos de sua perna”, afirmou um dos entrevistados aos funcionários da embaixada. “XXXXXXXXX, que visitou o pai no hospital, confirmou que sua condição era ’grave’. O casal está sendo tratado atualmente em um hospital em Medellín. XXXXXXXXXXXX disse que o bebê ’aparentava’ estar queimado”.

Uma notícia do jornal El Tiempo citou o General Hernan Giraldo, comandante da 17a Brigada, que disse que “aceita a responsabilidade pelo incidente”. Giraldo argumentou que foi “má sorte” e acrescentou que a “família se distanciou de seu território quando saiu para coletar comida”.

Os entrevistados da sociedade civil observaram uma demonstração de “falta de entendimento de sua cultura” por parte do exército colombiano, já que “a população Embera-Katio geralmente se levanta muito antes do amanhecer”.

“A Organização Indígena Antioquia (OIA), que denunciou inicialmente o incidente, está preparando uma reclamação formal contra os militares responsáveis pela operação”, afirma o autor do telegrama. “Ele nos disse que os Embera-Katio querem que o exército assuma os custos médicos dos indígenas feridos, promova reparações a toda a comunidade, e saia de seus territórios indígenas.”

Os funcionários da embaixada concluíram: “O que é certo é que esse incidente aumentará tensões entre os GOC e os indígenas, que estão enfrentando um aumento da violência relacionada a conflitos.”